REINADO
Chico Lobo (2000)
Crítica
Cotação:
Mineiro de São João Del Rei, o violeiro Chico Lobo, 36, já está no terceiro disco revolvendo os fatores básicos da música caipira. Pós-universitário interessado nos cânones, ele agrega ao sotaque musical de sua região a dupla de emboladores do Recife Caju & Castanha, a gaita-ponto do gaucho Renato Borghetti, o alaúde de Nívio Mota, de Santos (SP), além dos conterrâneos Pena Branca (da dupla com o falecido Xavantinho), o ator Jackson Antunes e novos violeiros do mesmo credo, Noel Andrade, Rodrigo Delage, Dimas Soares e Cláudio Araújo. As catiras, toadas e cantigas de folias de reis e congados constituem a base do repertório do violeiro, que acompanhou procissão na infância. Mas no Coco de Embolada, com Caju e Castanha, ele mostra que é possível derrubar fronteiras geográficas e estilísticas. O mesmo ocorre nas instrumentais Estradas com a gaita-ponto de Borghetti e na faixa título, onde a viola de Chico dialoga com o alaúde de Nívio Mota com abertura da erudita Spagnolletta, obra do século XVII. Em Pagode do Tião, ele celebra o pai do pagode caipira, outro estilista da viola, Tião Carreiro. Um trecho de cantoria dos moçambiques de Minas na saída dos bois do rosário adorna Bois do Cerrado. Menos rigoroso como cantor que violeiro, Chico dá conta do recado vocal neste disco rico de influências e miscigenações.
(Tárik de Souza)
Faixas

