SOU APENAS UMA SENHORA QUE AINDA CANTA
Zezé Gonzaga (2002)
2002
Biscoito Fino
BF 518
Crítica
Cotação:
Foram quase 30 anos sem lançar um álbum solo; desde 1979 Zezé Gonzaga não soltava a voz num disco apenas seu. Depois de bater ponto por oito anos no espetáculo As Cantoras do Rádio, a veterana retorna sob a batuta de Hermínio Bello de Carvalho, produtor do presente álbum e do show homônimo. Zezé ainda transborda de vitalidade e técnica. Não havia muito o que mexer, mesmo; foi apenas o caso de escolher com bom gosto o repertório, entregar a tapeçaria musical a Cristóvão Bastos (autor dos arranjos) e partir para o abraço. Há canções previsíveis no disco, levando-se em consideração a carreira de Zezé, e há momentos mais surpreendentes (como a inesperada Por Que Te Escondes, composta em 1958 por Pixinguinha e Thiago de Mello e só gravada agora). Mas há também a voz impecável da cantora de 76 anos, que implode as divisões de gênero - músicas de fossa, samba-canção, bossa nova - e imprime uma unidade estílistica notável ao disco. A supervisão da obra fica a cargo de Elizeth Cardoso, de cujo repertório saiu boa parte das canções cantadas por Zezé aqui e que comparece, como compositora, com outra surpresa, a pouco conhecida Estrelas. Da junção de Zezé, Elizeth e Hermínio sai mais um bom serviço prestado à tradição de nossa canção popular - mas tudo com cara de novidade.
Delicadeza, instrumental e de interpretação vocal, é o mote do álbum. Tramas musicais de construção simples (cello, piano, violão) mas de resultado vistoso fazem a base para Zezé recriar várias das pérolas de Elizeth. Não Me Culpe, Quando Tu Passas por Mim, Pra Machucar Meu Coração ou Trocando em Miúdos, exemplos da capacidade da Divina de penetrar fundo na alma humana, renascem aqui com sutileza, valorizadas pela ótima forma da veterana Zezé. Passagens menos antológicas da carreira de Elizeth (como Faxineira das Canções) recebem da intérprete o mesmo tratamento apurado. E na iluminada Prelúdio da Solidão, cantada à capela, Zezé confirma seu lugar como remanescente da melhor tradição do canto feminino brasileiro. (Marco Antonio Barbosa)
Delicadeza, instrumental e de interpretação vocal, é o mote do álbum. Tramas musicais de construção simples (cello, piano, violão) mas de resultado vistoso fazem a base para Zezé recriar várias das pérolas de Elizeth. Não Me Culpe, Quando Tu Passas por Mim, Pra Machucar Meu Coração ou Trocando em Miúdos, exemplos da capacidade da Divina de penetrar fundo na alma humana, renascem aqui com sutileza, valorizadas pela ótima forma da veterana Zezé. Passagens menos antológicas da carreira de Elizeth (como Faxineira das Canções) recebem da intérprete o mesmo tratamento apurado. E na iluminada Prelúdio da Solidão, cantada à capela, Zezé confirma seu lugar como remanescente da melhor tradição do canto feminino brasileiro. (Marco Antonio Barbosa)
Faixas
Esquecendo você (Tom Jobim, Vinícius de Moraes)
Trocando em miúdos (Francis Hime, Chico Buarque)
Molambo (Jayme Florence, Augusto Mesquita)
Molambo (Jayme Florence, Augusto Mesquita)
Não me culpe (Dolores Duran)
Quando tu passas por mim (Antonio Maria, Vinícius de Moraes)
Franqueza (Dennis Brean, Osvaldo Guilherme)
Quando tu passas por mim (Antonio Maria, Vinícius de Moraes)
Franqueza (Dennis Brean, Osvaldo Guilherme)
O que tinha de ser (Tom Jobim, Vinícius de Moraes)
Estrelas (Elizeth Cardoso)
Canção de amor (Eleno de Paula, DeChocolat)
Canção de amor (Eleno de Paula, DeChocolat)